Belo Horizonte pós-eleições

As eleições deste domingo se resumiram, para mim, na frustração de ver perder o meu candidato majoritário, Patrus Ananias, e a satisfação de ver o filho dele e também meu candidato, Pedro Patrus, ganhar com muita força uma vaga na Câmara dos Vereadores.

Meia vitória, infelizmente e felizmente

Não sou um eleitor petista iludido. Não votei no Patrus por achar que ele faria uma revolução na cidade, nem minha identificação com o Partido dos Trabalhadores é baseada nesse tipo de fantasia ideológica. Apesar disso, a minha expectativa era que a cidade demonstrasse de uma maneira mais expressiva a insatisfação com a atual – e agora próxima – gestão. Insatisfatória porque deixou para trás uma série de promessas, a serem recordadas aqui aqui, porque demonstrou insensibilidade com uma série de necessidades da população, principalmente a mais pobre, e porque não se alinhou de maneira positiva àquilo que BH precisava, em termos de projeto urbano. Ainda que o PT – e principalmente o mineiro – tenha seus sérios problemas e contradições, ele ainda corresponde mais àquilo que eu esperava para administrar a cidade. O texto da Raquel Rolnik fala bem sobre esses aspectos.

Minha expectativa, agora, é ver o que o Márcio Lacerda vai fazer desse segundo mandato e esperar que, no mínimo, ele seja capaz de cumprir suas principais promessas.

Câmara Municipal

A Câmara de Belo Horizonte mudou razoavelmente. Só 17 parlamentares foram reeleitos. PT e PSB têm as maiores bancadas, com seis cadeiras cada. Considerem que houve um crescimento notável da bancada do partido do prefeito (subiu de 2 para 6) e uma queda na representação do PMDB (caiu de 4 para 1 vereador). Partidos menores conseguiram espaço, como o PTN e o PSDC, que não tinham representantes até a última gestão. Sentimos a falta do PSOL, que ainda não conseguiu eleger um vereador dessa vez. É um partido com o qual eu também simpatizo muito, mas que ainda não consegue desbancar o PT na minha preferência. O candidato mais votado deles, André Veloso, da UFMG.

Não sei dizer se saímos com uma Câmara melhor. Elegemos alguns daqueles que considero bons nomes, como Pedro Patrus, nome novo e muito expressivo do PT, que desbancou lideranças fortes da legenda na votação. No entanto, a velha guarda da câmara está firme e forte por lá. A bancada tucana eleita é exemplo do quanto a casa de leis de BH continua vergonhosamente conservadora, no geral: Henrique Braga, Pablito, Léo Burguês. Vamos precisar de muita força de vontade nos próximos anos, é esperar para ver – e ficar de olho. De brinde pra vocês, minha planilha com votações de 2012 e, em cinza, os reeleitos.

Brasil Afora

O quadro nacional ainda rendeu espaço para muito debate. Em São Paulo, conseguimos uma vitória bacana que é levar o Haddad para o segundo turno contra o Serra, contrariando o que a maioria das pesquisas dizia. Haddad vem de uma gestão ultra produtiva no Ministério da Educação e é um dos principais investimentos do PT nacional. Longe de mim querer dar palpite na vida de uma cidade na qual eu não vivo, mas creio que, nesse cenário, ele é uma boa escolha. Na Câmara, o mais votado dos paulistas foi um candidato com plataforma baseada nos direitos dos animais, além de reelegerem o Netinho de Paula. Pelo menos tiveram a decência de deixar de fora Serginho Orgastic, ex-BBB, e a Mulher Pêra, que fez todo mundo gravar o número mas não chegou nem aos três mil votos. O Rio de Janeiro perdeu a oportunidade de fechar com Freixo. César Maia continua sendo um dos nomes mais influentes na cidade – o terceiro mais votado. Patrícia Amorim, a dama do Flamengo, foi derrubada pelo quociente eleitoral. Em Florianópolis, Tiago Silva (PDT) foi o candidato mais votado, mesmo sendo negro, vindo de família pobre e gay. “O melhor de tudo foi bater as famílias tradicionais que sempre venceram na política florianopolitana”, disse, ao comentar a vitória por quase 7 mil votos.

Vitórias e derrotas

Republicando o que eu disse no Facebook hoje, mais cedo, “lembrem-se os que comemoram a permanência do Lacerda: o Prefeito se reelege, mas outros 800 mil habitantes disseram não a ele nas urnas. Faço votos para que o Fora Lacerda se fortaleça e esteja presente durante os próximos anos, cobrando cada um dos pontos que o Prefeito prometeu durante a campanha. Estamos de olho, todos juntos, independente de quem escolhemos para o voto neste domingo.” Bola pra frente, BH, apesar de todos os pesares.

Enquanto isso…

Parece que vai dando Chávez de novo na Venezuela. Fiquem de olho.